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Tempo, tempo, tempo...

Tempo, tempo, tempo...

Como você mede o tempo? Há que utilize o relógio e conte em horas, minutos e segundos. Há quem use o calendário e considere os dias, meses e anos. Mas há uma classe de pessoas que tem o tempo como parte de uma vida em harmonia e respeito aos seus limites e aos limites da natureza.

O relógio foi o responsável pela superação do tempo tradicional no qual o dia se inicia com o nascer do sol e termina como cair da noite para o tempo industrial que não reconhece os limites da natureza, ao contrário, investe para a eliminação de limites impostos por ela. Horário comercial, semana útil, ano contábil passaram ser sinônimo de tempo ideal, ou, aquele que importa. Nesse processo, nos acostumamos a contar as horas e minutos para a chegada no nosso tempo. Esperamos pelo fim do dia e início do descanso. Ansiamos pelo fim da semana para gozarmos o final de semana, o fim do mês para ter o salário e fim do ano para ter férias.

Assim, a maioria de nós já não decide mais sobre seu tempo porque o vende. Quando trabalhamos para alguém, vendemos nosso tempo juntamente com nossas habilidades para realizar coisas e resolver problemas. São essas pessoas que mais fazem contas. Horas para o fim do dia, dias para o fim da semana, meses para o fim do ano.

Claro, há quem seja dono de seu tempo. Há quem decida a que horas vai dormir ou acordar. Se vai sair para andar na chuva ou esperar a chuva passar. Quantas pessoas você conhece que escolhem o que fazer com seu tempo? Podemos dizer que fazer as coisas por opção é um dos maiores privilégios da vida moderna. Coisa de gente rica, dirão. Será? Seria o tempo um artigo de luxo?

Para alguns parece ser, mas não é para o matuto, para o ribeirinho, para o pescador. O artista tem no tempo parte de sua inspiração. O padeiro tem o tempo como parte de pão. Para o índio o tempo é parte da natureza da vida e assim pode ser vendido, nem ser usado. O tempo apenas flui...

Para o marinheiro que veleja não importam as horas. Importa o vento, importa a onda, importa o mar. Aquele que viaja à vela aguarda o melhor vento, a melhor janela climática, não a melhor hora. Velejar à vela é uma forma de integrar-se aos limites da natureza, não de os controlar.

Seja como for, é bom refletir em qual grupo estamos. Talvez em outros ou mais de um, dependendo da ocasião. Talvez mudando de um para outro, dependendo da fase da vida. Seja como for, só fique em uma situação indesejada pelo tempo necessário. Ninguém deve se acostumar a fazer as coisas por falta de opção.

 

Amo Curitiba
Cláudio Hernandes
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