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“Cansei de tomar golpe”: ex-modelo abre ‘agência-mãe’ e fatura 3,6 milhões em dois anos

“Cansei de tomar golpe”: ex-modelo abre ‘agência-mãe’ e fatura 3,6 milhões em dois anos

Leandro Simões levou os constrangimentos enfrentados na carreira como lição para abrir a AGNCY e fazer tudo ao contrário; agência oferece amparo psicológico, nutricional e até jurídico aos agenciados

Leandro Simões tem 24 anos. Com 22, decidiu abrir a própria agência de modelos; estava cansado de ser passado para trás na carreira que abandonou depois que virou empresário. A AGNCY nasceu em Curitiba com a ideia de ser uma agência-mãe para os modelos do seu casting. Ao oferecer suporte psicológico, nutricional, personal trainer, dentista, esteticista, assistência jurídica e financeira, curso de idiomas e até orientações sobre visagismo e tatuagem, trabalha como quem deseja permitir ao modelo concentrar apenas em exercer sua profissão com qualidade, enquanto garante amparo na construção de uma carreira sólida.

“A AGNCY nasceu porque tomei muitos golpes como modelo”, conta Leandro. “Sentia muita necessidade de encontrar uma agência que cuidasse de nós. Era muita venda de books e cursos, o que foi me frustrando. Até que decidi oferecer meu trabalho aos clientes e deu muito certo”.  Antes de abrir sua própria, chegou a trabalhar no alto escalão de outras agências, mas encontrou nelas as mesmas estratégias de exploração das quais foi vítima.

Com dois anos de atividade, a AGNCY conta com três escritórios — Curitiba (PR), São Paulo e Ourinhos (interior de SP), e em vias de abrir no Rio de Janeiro e em Recife (PE), cerca de 15 funcionários e 180 modelos. Ainda é pouco se comparado a um universo de empresas que chegam a agenciar até 100 modelos por semana, avalia Leandro. Mas são essas que são conhecidas por vender books e cursos aos modelos em início de carreira. Somados os trabalhos realizados pelos modelos desde 2018, quando foi fundada, a AGNCY já faturou R$ 3,6 milhões brutos.

“Nosso maior diferencial é que a gente não lucra em cima do modelo; a gente lucra com o modelo. Ganhamos dinheiro com os jobs, enquanto muitas agências ganham com a venda de cursos e books para seu próprio casting”, explica. Na AGNCY, tanto o book quanto os treinamentos são financiados pela agência. E o valor recebido pela Taxa Única de Agenciamento (chama-se taxa única, pois o modelo só investe uma única vez e sem surpresas desagradáveis de novos custos depois) é investido no suporte de desenvolvimento, estrutura e em todo o tipo de assistência oferecida aos modelos, não gerando lucro para a agência mãe.

‘O que você faria se ganhasse muito dinheiro?’

Para selecionar os modelos, a agência não olha apenas para os aspectos físicos necessários para cada tipo de trabalho. Segundo Leandro, tão importante quanto a imagem é conhecer detalhadamente cada integrante do casting. Por isso, as avaliações envolvem tanto medidas, altura, peso, estado da pele, dentes, cabelo (avaliados apenas para se ter um ponto de partida para o suporte ser iniciado) quanto o contexto familiar e o lado psicológico de cada candidato. “Eu chego a fazer algumas perguntas chatas, do tipo ‘o que você faria se ganhasse muito dinheiro?’. Assim, vou entendendo a pessoa, sabendo das carências e dos objetivos”, afirma.

Com esse modelo, a AGNCY já encaminhou modelos para trabalhos em Mumbai na Índia, Milão na Itália, Lisboa em Portugal, Paris na França, Pequim na China, Cidade do México no México, Buenos Aires na Argentina e muitos outros países. Leandro já vislumbra a possibilidade de abrir novas unidades em algumas dessas cidades. Por conta da pandemia, a empresa suspendeu temporariamente as atividades internacionais com as temporadas de modelos que estão programadas para retornarem em fevereiro de 2021.

 

De Ourinhos para o mundo da moda

Sara Florentino era agente mirim de trânsito na cidade de Ourinhos quando foi descoberta por Leandro. Antes, embalava caixas de giz de cera em uma fábrica na mesma cidade. Estudante do curso técnico de enfermagem, nunca tinha imaginado seguir a carreira de modelo. “Quando comecei, o Leandro me perguntou qual era o meu limite”, recorda. Ela se sentiu à vontade então para explicar o que gostaria e o que não gostaria de fazer como modelo. Suas vontades foram consideradas. Hoje, aos 20 anos, tem feito portfólios para clientes internacionais e tem negociações em andamento para uma carreira no exterior. “Está pronta para ir a Milão”, destaca Leandro.

Ela celebra o fato de ter assistência médica e dentária, de ter curso de idiomas custeado pela agência e, principalmente, de contar com a atenção da direção, que está pronta para ouvir seus agenciados.

“Eles sempre me perguntam como me sinto diante de alguma coisa, me passam confiança, conversam o tempo inteiro, sempre com objetivo de ensinar, mas com um jeito amigo”, conta.  “Sou muito tímida, nunca tinha pensado em ser modelo. Mas quando o Leandro me pediu para pesquisar sobre a carreira pra saber se ia gostar, me interessei por isso. E estou muito feliz com a minha nova profissão”, afirma.

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