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A Indústria 4.0 precisa de um “Supply Chain” 4.0

A Indústria 4.0 precisa de um “Supply Chain” 4.0

Roberto Pansonato*

Se existem áreas do conhecimento que têm sofrido alterações substanciais nas últimas décadas, com certeza, uma dessas áreas refere-se ao Supply Chain, ou cadeia de suprimentos.

De uma forma geral, as cadeias de suprimentos prestam um serviço essencial para nossas vidas diárias, a ponto de serem a espinha dorsal da economia global e uma verdadeira fonte de diferenciação e inovação para as empresas.

Assim é que, quando um cliente, seja um consumidor final ou até mesmo uma empresa, decide comprar um item oferecido no mercado por uma empresa, provoca uma cadeia de eventos, em que o ciclo “fonte-produção-entrega” se repete várias vezes.

O Supply Chain refere-se a um macroprocesso que envolve fornecedores e clientes que, por meio de várias atividades como controle de estoque, manufatura, distribuição e transporte, por exemplo, têm o objeto de agregar valor ao consumidor final.

Estrategicamente, as empresas têm se agrupado em cadeias de suprimentos, a ponto de a concorrência passar a ser entre cadeias de suprimentos, ao invés de concorrência somente entre empresas. Mas onde entra a tal de Supply Chain 4.0 nessa história?

Tudo começa com o incremento da indústria 4.0. Conceito utilizado pela primeira vez na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, em 2011, que tem como premissa, a conexão de máquinas, sistemas e pessoas aos processos de produção industrial, otimizando a personalização dos produtos e permitindo a utilização mais eficiente de recursos, o que proporciona uma mudança disruptiva na forma como as fábricas funcionam.

É fato que um conceito inovador como esse iria rapidamente se disseminar para outras áreas de atuação, como a logística e o Supply Chain, por exemplo. Com raras exceções, é difícil encontrar uma empresa que produz a sua própria matéria-prima, fabrica seu produto e é responsável pelo abastecimento nos mais diversos locais. Há, portanto, a necessidade de integração da indústria com todos esses atores, e é aí que entra a cadeia de suprimentos 4.0. Pode-se dizer que não há como ter uma indústria 4.0 sem uma cadeia de suprimentos 4.0.

Sendo assim, quando se menciona o termo Supply Chain 4.0, estamos falando de uma disrupção em relação à forma tradicional de suprimento para uma cadeia de suprimentos digital, que passa a utilizar tecnologias de Tl tal qual a Internet das Coisas (IoT, Internet of Things), Big Data, Data Mining, algoritmos preditivos, sistemas ciber-físicos e inteligência artificial.

A digitalização dos processos nos setores de abastecimento já é uma realidade. Um bom exemplo da tecnologia da Internet das Coisas aplicado ao setor de abastecimento é o proporcionado pela Amazon, nas chamadas lojas Amazon Go. Presente em muitas cidades dos Estados Unidos, essa é uma forma digital de vendas, em que o consumidor, por meio de um aplicativo no celular faz sua compra e um sistema inteligente de câmeras e visão computacional verifica e contabiliza toda a compra realizada.

E a Amazon não parou por aí. No início do ano de 2020, a Amazon lançou o Amazon Go Grocery, na cidade americana de Seattle, nos Estados Unidos. Um supermercado sem caixas em que o consumidor faz suas compras e simplesmente não se preocupa em passar pelos caixas nem por uma intervenção humana. Tecnologias dessa magnitude requerem uma cadeia de suprimentos totalmente digital, e aí que entra o Supply Chain 4.0.

Efetivamente, as redes de negócios do futuro tendem a ser cada vez mais flexíveis. Nuvens baseadas em GPS e utilização massiva de identificadores de rádio frequência (RFID) proporcionarão a visualização online de todo material em trânsito na cadeia de suprimentos. Bem-vindos ao Supply Chain 4.0!

Roberto Pansonato é professor da Escola Superior de Gestão, Comunicação e Negócios do Centro Universitário Internacional Uninter

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